O Cientista e sua Maior Descoberta
Stephen Hawking, falecido em 14 de março de 2018, foi um dos cientistas mais célebres do mundo. Durante sua vida, escreveu artigos científicos e livros de divulgação, participou de documentários e até teve sua trajetória retratada no cinema. Apesar de ser diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) aos 21 anos, o que o deixou dependente de uma cadeira de rodas e de um sistema de comunicação especial, sua carreira acadêmica seguiu de forma brilhante.
Entre suas inúmeras contribuições para a ciência, Hawking desejava ser lembrado por uma em especial: a teoria da radiação Hawking. Essa descoberta foi tão impactante que instituições renomadas, como a NASA e o CERN, ainda trabalham para detectá-la.
A Equação na Lápide de Hawking
O túmulo de Hawking está localizado na Abadia de Westminster, em Londres, próximo aos de Isaac Newton e Charles Darwin. Sua lápide, de pedra escura, traz uma equação fundamental que representa a radiação Hawking. Essa fórmula sintetiza a ideia de que buracos negros não são totalmente negros, mas emitem uma radiação sutil.
Inicialmente, o próprio Hawking duvidou desse conceito. Em palestras para a BBC em 2016, ele relembrou sua surpresa ao perceber, em 1974, que buracos negros deveriam emitir partículas continuamente. Na época, acreditava-se que nada poderia escapar de um buraco negro, e Hawking tentou refutar sua própria descoberta. No entanto, ao aprofundar seus estudos, ele percebeu que o fenômeno era inevitável e teve que aceitá-lo.
O Funcionamento da Radiação Hawking
Para compreender essa teoria, é necessário entender dois conceitos físicos. O primeiro é a produção de pares, na qual um fóton (partícula de luz) pode gerar um par de partículas e antipartículas, que logo se aniquilam e voltam a formar um fóton. O segundo conceito é o horizonte de eventos, o limite a partir do qual nada pode escapar de um buraco negro.
Hawking se perguntou o que aconteceria se a criação desses pares ocorresse próximo ao horizonte de eventos. Em alguns casos, uma das partículas seria absorvida pelo buraco negro, enquanto a outra escaparia para o espaço, manifestando-se como radiação. Esse fenômeno, agora conhecido como radiação Hawking, implica que buracos negros perdem energia ao longo do tempo.
O Destino dos Buracos Negros
Uma consequência dessa descoberta é que buracos negros não são eternos. À medida que emitem radiação, perdem energia e, eventualmente, desaparecem. Esse processo, porém, leva um tempo extremamente longo. De acordo com a NASA, um buraco negro de massa estelar levaria dezenas de vezes a idade atual do Universo para evaporar completamente.
A Busca por Evidências e o Sonho do Nobel
Desde sua formulação, a radiação Hawking ainda não foi observada diretamente. Experimentos como o telescópio espacial Fermi, da NASA, e o Grande Colisor de Hádrons, do CERN, tentam detectar sinais dessa emissão.
Hawking reconhecia a dificuldade de comprovar sua teoria experimentalmente e brincava que, se isso fosse possível, ele teria conquistado um Prêmio Nobel. Mesmo sem essa honraria, sua equação gravada na lápide simboliza um dos maiores avanços da física moderna e um legado que continua a inspirar cientistas ao redor do mundo.
