As autoridades australianas tomaram a difícil decisão de sacrificar cerca de 90 falsas-orcas (Pseudorca crassidens) que sobreviveram a um encalhe em massa em uma praia remota da Tasmânia. O grupo fazia parte de um total de 157 animais que encalharam perto de Arthur River, no noroeste da ilha. Infelizmente, as demais já haviam morrido antes de qualquer intervenção.
Especialistas que atuaram no local relataram que as condições extremamente complexas tornaram impossível salvar os animais. O biólogo marinho Kris Carlyon, com 16 anos de experiência em resgates, descreveu o local como um dos mais desafiadores que já enfrentou. A área é de difícil acesso, com estradas íngremes e de mão única, o que limitou a logística para o transporte de equipamentos e equipes de resgate.
As falsas-orcas, que são tecnicamente uma das maiores espécies de golfinhos, podem atingir até 6 metros de comprimento e pesar 1,5 tonelada. Segundo as autoridades, os animais já estavam sob estresse extremo, pois estavam encalhados há pelo menos 24 a 48 horas.
Jocelyn Flint, uma moradora local, relatou à rede australiana ABC a cena angustiante que presenciou. "Há bebês. São famílias inteiras. Elas estão olhando para mim, como se pedissem 'socorro'. É absolutamente horrível", desabafou.
Apesar dos esforços da equipe de resgate, as condições do mar impediram a devolução dos animais ao oceano. Shelley Graham, do Serviço de Parques e Vida Selvagem da Tasmânia, explicou que as falsas-orcas não conseguiam atravessar as ondas fortes e, repetidamente, voltavam para a praia.
Diante da previsão de condições semelhantes para os próximos dias, os especialistas optaram pela eutanásia dos animais restantes. "Quanto mais tempo eles ficam encalhados, mais sofrem. A eutanásia é sempre o último recurso", afirmou Carlyon. O processo, que envolve o uso de armas de fogo, começou na quarta-feira e deve continuar na quinta-feira.
As autoridades ainda discutem como lidar com as carcaças. O local é considerado um patrimônio cultural importante para os aborígenes, e uma das opções é deixar que a natureza siga seu curso. Além disso, a população foi orientada a evitar a área devido a incêndios florestais nas proximidades e ao acesso limitado.
A Tasmânia é conhecida por ser um ponto crítico para encalhes de baleias na Austrália, com mais de 80% dos casos ocorrendo na costa oeste da ilha. Em 2020, cerca de 470 baleias-piloto encalharam no Porto de Macquarie, resultando na morte de aproximadamente 350 animais. Outro incidente semelhante ocorreu no mesmo local em 2022.
Especialistas sugerem que os encalhes em massa podem estar relacionados ao comportamento social desses mamíferos, que viajam em grupos unidos e dependem de comunicação constante. Entre as teorias para explicar o fenômeno, estão a desorientação causada pela perseguição de presas até a costa ou a liderança equivocada de um indivíduo, que acaba arrastando todo o grupo para a praia.
A decisão de sacrificar as falsas-orcas gerou controvérsia, mas foi considerada necessária para evitar mais sofrimento aos animais. O caso reforça a complexidade e os desafios enfrentados em situações de encalhes em massa, especialmente em locais remotos e de difícil acesso.

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