O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 3,4% em 2024, impulsionado pelos setores de serviços e indústria, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (7). No entanto, para 2025, as expectativas não são tão otimistas. O mercado financeiro projeta um crescimento de apenas 2,01%, segundo o relatório Focus da última quarta-feira (5). Especialistas ouvidos pelo g1 destacam três principais riscos que podem desacelerar a economia brasileira no próximo ano: os gastos do governo, as taxas de juros elevadas e as novas tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
1. Gastos do governo
Os estímulos fiscais adotados pelo governo nos últimos anos, como facilitações de crédito e programas sociais, foram fundamentais para impulsionar o consumo e o crescimento do PIB em 2024. No entanto, os economistas alertam que não há mais espaço para novos gastos, diante do déficit bilionário e da alta dívida pública. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um pacote de cortes de gastos para economizar R$ 327 bilhões em cinco anos, mas a redução dos estímulos fiscais deve desacelerar a economia.
"O governo está parando de injetar dinheiro na economia, e isso deve levar a uma acomodação da atividade ao seu potencial natural", explica Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos. Além disso, o Banco Central (BC) tem dificuldade para controlar a inflação gerada pelos estímulos anteriores, o que pode manter os juros elevados e frear o crescimento.
2. Taxas de juros elevadas e em tendência de alta
A combinação de um mercado de trabalho aquecido e os estímulos fiscais gerou preocupações sobre a capacidade da economia brasileira de suportar a demanda sem gerar inflação. O núcleo da inflação de serviços, por exemplo, acumulou alta anual de 5,9% até janeiro, acima da inflação oficial de 4,56%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a taxa básica de juros (Selic) para 13,25% ao ano em 2024, e a expectativa é que chegue a 15% em 2025. Juros mais altos encarecem o crédito e reduzem o consumo, o que pode impactar negativamente o PIB. "Os efeitos dos juros altos só devem ser sentidos no segundo semestre de 2025", afirma Antônio da Luz, economista da Ecoagro.
3. Novas tarifas de Trump
O cenário internacional também preocupa. Donald Trump, que retornou à presidência dos Estados Unidos, adotou uma política protecionista, impondo tarifas sobre produtos importados de países como China, México e Canadá. Essa medida pode se estender à União Europeia e afetar exportações brasileiras, especialmente de aço, alumínio e produtos florestais.
"Tarifas comerciais elevam os custos de insumos e produtos importados, gerando mais inflação e pressionando o dólar", explica Josenito Oliveira, professor de economia da Universidade Tiradentes. Um dólar mais forte encarece as importações e pode prolongar o ciclo de juros altos no Brasil, impactando o consumo e o crescimento econômico.
Diante desses desafios, a economia brasileira deve enfrentar um ano de desaceleração em 2025. A combinação de restrições fiscais, juros elevados e incertezas internacionais pode limitar o crescimento do PIB, que já é projetado em apenas 2,01% pelo mercado financeiro.
