Cena 1: Donald Trump assume a presidência dos Estados Unidos, cercado por magnatas da tecnologia como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos. Ao seu lado, diversos bilionários são escolhidos para ocupar postos-chave no governo.
Cena 2: Musk, o homem mais rico do mundo, surge de pé no Salão Oval da Casa Branca, enquanto Trump está sentado ao seu lado. Ele detalha sua missão de reformar e reduzir o governo americano, em meio a relatos de que sua influência e fortuna cresceram após a eleição de Trump.
Cena 3: A rede social X (antigo Twitter), de propriedade de Musk, concorda em pagar cerca de US$ 10 milhões (cerca de R$ 57,5 milhões) para firmar um acordo judicial com Trump, referente à suspensão de sua conta na plataforma em 2021.
Desde que Trump voltou à Casa Branca, em 20 de janeiro, uma sucessão de eventos tem interligado cada vez mais o poder político e econômico nos EUA. Para o economista Robert Reich, essa dinâmica está transformando o país em "uma oligarquia".
"Estamos perdendo nossa democracia", alerta Reich em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. Ex-secretário do Trabalho no primeiro mandato de Bill Clinton (1993-1997), Reich reforça que Trump e Musk são "o centro" dessa nova oligarquia que vem assumindo o controle do país.
"Musk é o agente-chave desse movimento oligárquico", afirma Reich. "Ele detém riqueza, conhecimento tecnológico e conta com aliados capazes de fazer o que Trump, sozinho, não poderia realizar com facilidade."
A preocupação não é exclusiva de Reich. O ex-presidente Joe Biden fez uma advertência similar em seu discurso de despedida da Casa Branca, em janeiro, embora tenha evitado mencionar nomes específicos.
Reich, que também foi assessor na transição do governo Barack Obama, é professor emérito de políticas públicas na Universidade da Califórnia em Berkeley. Autor de diversos livros, como O Trabalho das Nações (Ed. Educator, 1994), ele protagonizou o documentário Salvando o Capitalismo (2017), disponível na Netflix.
Desde 1994, Reich alerta sobre a crescente desigualdade nos Estados Unidos, descrevendo um país dividido em dois grupos: "alguns poucos ganhadores e uma maioria de americanos que ficam para trás, alimentando ira e desilusão, facilmente manipuláveis".
