O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “grotesca” a discussão entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante uma reunião na Casa Branca na última sexta-feira (28). A declaração foi feita neste sábado (1º), durante entrevista a jornalistas no Uruguai, onde o petista cumpre agenda oficial.
Lula afirmou que a postura adotada por Trump diante de Zelensky foi desrespeitosa e representou uma humilhação ao líder ucraniano. Para o presidente brasileiro, o episódio evidencia a falta de compromisso com o diálogo para pôr fim à guerra que já dura três anos.
“Acho que a diplomacia, desde que foi criada, nunca viu uma cena tão grotesca como aquela que aconteceu no Salão Oval da Casa Branca. O Zelensky foi humilhado e, na cabeça do Trump, ele merecia isso. Isso é lamentável para o mundo inteiro”, declarou Lula.
A reunião, transmitida ao vivo para a imprensa, ocorreu em meio às negociações para um acordo de exploração de terras raras na Ucrânia — regiões que abrigam minerais estratégicos como manganês, lítio, urânio e gás natural. O acordo era considerado vital para a Ucrânia, que busca garantir o apoio norte-americano na guerra contra a Rússia.
No entanto, as tensões entre Trump e Zelensky dominaram os últimos minutos do encontro. O presidente norte-americano cobrou publicamente que o líder ucraniano aceitasse um acordo de paz com a Rússia, enquanto Zelensky expressava desconfiança sobre o compromisso do presidente Vladimir Putin em encerrar o conflito.
O bate-boca se agravou quando Trump, em tom acalorado, acusou Zelensky de “apostar a vida de milhões de pessoas” em um possível desdobramento para a Terceira Guerra Mundial. A discussão levou o vice-presidente americano JD Vance a intervir, criticando a postura do líder ucraniano.
Impactos na Geopolítica
A troca de farpas entre Trump e Zelensky gerou reações imediatas na comunidade internacional. Especialistas avaliam que o episódio pode enfraquecer ainda mais a posição da Ucrânia nas negociações de paz, além de provocar fissuras na relação entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.
Lula destacou que a discussão prejudica diretamente a União Europeia, que tem apoiado a Ucrânia desde o início da guerra. O presidente brasileiro afirmou que a falta de respeito mútuo entre os líderes pode dificultar a construção de um caminho para a paz.
“Não é possível falar em democracia se não há respeito ao ser humano. A Europa está sendo prejudicada por decisões que deveriam buscar a paz, mas que preferem discutir a guerra. Espero que esse episódio sirva como lição para todos”, disse Lula.
Defesa do Diálogo
Desde o início da guerra na Ucrânia, Lula tem defendido a criação de um grupo de países neutros para intermediar o diálogo entre Rússia e Ucrânia. O presidente brasileiro reafirmou a posição de que um acordo de paz só será possível se houver participação ativa dos dois lados do conflito.
“Muito dinheiro já foi gasto nessa guerra. O que o mundo precisa é de paz, e isso só será alcançado se os dois presidentes que estão em conflito se sentarem para negociar”, declarou.
O petista também criticou a postura de países que priorizam o envio de armas em vez de promover o diálogo. Para Lula, o fortalecimento do militarismo aprofunda o sofrimento da população civil e prolonga o conflito.
“Somente a paz é capaz de trazer ao mundo a normalidade. Precisamos de prosperidade e de distribuição de riqueza para o nosso povo, não de mais guerra”, concluiu.
